Hoje é Dia: veja datas e feriados de dezembro de 2021

Nem parece, mas já estamos no último mês de 2021. O Hoje é Dia de Dezembro, mês do Natal (no dia 25) e das festas de fim de ano, traz consigo, além da chegada do verão no Hemisfério Sul (no dia 21 de dezembro, às 12h59), uma série de datas de celebrações que visam homenagear e conscientizar a população. … Leia Mais



Caso Kiss: conheça os detalhes do júri

Na próxima quarta-feira (1°/12), terá início o júri do caso Kiss, que deve ser o mais longo da história do Poder Judiciário gaúcho. O incêndio, ocorrido em 27/01/13 na Boate, em Santa Maria, vitimou 242 pessoas e deixou outras 636 feridas. O julgamento também é considerado o mais complexo, envolvendo cerca de 200 servidores de … Leia Mais


UFSM: Você já observou os olhos do seu pet hoje?

A saúde ocular de cães e gatos nem sempre é devidamente monitorada, o que pode acarretar graves doenças e até mesmo a perda definitiva da visão O olhar dos pets diz tudo: se estão com fome, se querem carinho, se sentem medo e se estão felizes. As doenças oculares em animais de estimação são bastante … Leia Mais


Luz vermelha misteriosa no céu gera curiosidade em Júlio de Castilhos


Luzes vermelhas piscando no céu provocaram curiosidade nos moradores de Júlio de Castilhos. Objeto voando sobre o céu da cidade na noite da ultima quarta-feira (24). Na rede social, foi o assunto da noite com possíveis nomes das luzes coloridas no céu. (Veja vídeo abaixo). Podia se escutar barulho sendo possível avião e em outros palpites poderia ser Drone. O objeto voador com luzes, voava de leste a oeste e por vezes do sul para o norte.

Nem sempre as coisas são o que parecem! Portanto, não é raro confundir um cometa com um rastro de avião, uma nuvem com um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) ou até um balão com coisas desse ou de outro mundo.

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Brigada Militar anuncia inscrições de concurso para 4 mil novos soldados


 Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O governo do Estado abriu nesta quarta-feira (24/11) as inscrições para concurso público que irá selecionar 4 mil novos soldados da Brigada Militar (BM). O edital publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) traz todas as informações sobre requisitos aos candidatos e etapas da seleção.

As inscrições devem ser efetuadas somente pela internet, de 30 de novembro até as 17h do dia 30 de dezembro de 2021, no site da Fundatec, banca organizadora do concurso. A taxa de inscrição é de R$ 92,64. As vagas no concurso se destinam a selecionar ingressantes para o primeiro nível da carreira de praças da BM, no cargo de soldado III, com subsídio inicial de R$ R$ 4.689,23. O concurso terá validade de dois anos, contados a partir da data de publicação da homologação do resultado final, podendo ser renovado por igual período.

“A abertura deste concurso para 4 mil novos soldados da Brigada Militar renova também nosso compromisso de ter a Segurança Pública como prioridade em nosso governo, a partir do programa RS Seguro, e também de garantir a necessária reposição de efetivo. Nossa expectativa é de que possamos chamar os primeiros aprovados para dar início ao curso de formação ainda no segundo semestre de 2022”, afirma o vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior.

Para se candidatar, é obrigatório ter idade mínima de 18 anos e máxima de 25 anos até o último dia das inscrições, ter altura mínima de 1,65m para homens e 1,60m, mulheres, estar quites com as obrigações eleitorais e o serviço militar obrigatório e ter carteira nacional de habilitação (CNH) válida, no mínimo na categoria “B”, entre outros requisitos descritos no capítulo V do edital de abertura. Serão reservadas 16% das vagas para pessoas negras ou pardas, conforme a previsão da Lei Estadual nº 14.147/12. Caso não se preencham as vagas reservadas, serão chamados os candidatos da lista universal.

O concurso terá quatro fases. A primeira é o exame intelectual de caráter classificatório e eliminatório. A segunda é o exame de saúde, para o qual serão convocados os candidatos aprovados na prova até a classificação de número 6 mil, levando em conta os critérios de desempate e respeitado o percentual de reserva de vagas para cotistas.

Os considerados aptos na avaliação de saúde, também respeitada a cota para negros ou pardos, serão convocados para o exame de capacitação física. Os aprovados, igualmente observada a cota, serão chamados para o exame psicológico, composto por duas etapas obrigatórias: testagem coletiva e entrevista individual. Após as quatros fases, o certame se encerra com a sindicância de vida pregressa. Toda a sequência do concurso terá datas, locais e horários sempre divulgados em editais a serem publicados no DOE, com antecedência mínima de cinco dias.

O exame intelectual terá 50 questões objetivas de Língua Portuguesa, Legislação Específica, Conhecimentos Gerais, Matemática, Direitos Humanos e Cidadania e Informática. As provas serão aplicadas em Porto Alegre, mas poderão ser realizadas também em outras cidades da Região Metropolitana caso não haja disponibilidade de locais suficientes ou adequados na capital. A data provável realização do exame, conforme o edital, é 30 de janeiro de 2022, podendo ser alterada conforme a necessidade do andamento do certame.

Para outras informações, os interessados devem acompanhar a publicação de editais no DOE, que também serão disponibilizadas no site da Fundatec e na página de concursos do site da Brigada Militar (www.brigadamilitar.rs.gov.br). Não serão fornecidas informações por telefone.

• Clique aqui e acesse o edital publicado no Diário Oficial do Estado de 24/11/2021

Texto: Carlos Ismael Moreira/Ascom SSP


Pesquisa confirma segurança para consumo dos vegetais comercializados no país


iStock

Pesquisa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada em 2019 e 2020, e divulgada nesta sexta-feira (19), no Diário Oficial da União, mostra que 89% das amostras de produtos de origem vegetal analisadas pelo Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal) estão dentro do nível de conformidade. Isso significa que os vegetais comercializados no Brasil são seguros para consumo.

Os resultados são referentes ao PNCRC/Vegetal, que tem como objetivo monitorar e fiscalizar os resíduos de defensivos agrícolas e de contaminantes químicos e biológicos em produtos de origem vegetal nacionais e importados. Desde 2019, quando a fiscalização passou a autuar as irregularidades, o Mapa já aplicou mais de R$ 4 milhões em multas. 

Segundo o levantamento, dos 89% de conformidade apontados nas análises, 49% não apresentaram nenhum resíduo e contaminante e outros 40% apresentaram valores abaixo do Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecido no Brasil.

Apenas 11% das amostras apresentaram algum tipo de inconformidade. Desse total, 10 pontos percentuais representam inconformidades relacionadas a resíduos de defensivos agrícolas e um ponto percentual mostrou a presença de contaminantes, como Salmonella e micotoxinas.

Dos produtos que apresentaram inconformidades pelo uso de defensivo agrícola não permitido para a cultura, temos o feijão comum (Phaseolus vulgaris) e o feijão-de-corda (Vigna unguiculata). O Mapa autuou as empresas embaladoras dos produtos e vem trabalhando em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria do Feijão (Abifeijão), Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Associação Brasileira de Feijões e Legumes Secos (Abrafe) estratégias de monitoramento de resíduos e rastreabilidade de produtos. Uma ação já adotada pelos embaladores é a execução de teste rápido para resíduos de defensivos no recebimento dos feijões. 

Segundo parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as irregularidades encontradas nos feijões não apresentam risco agudo no consumo desses alimentos.  

“O estabelecimento dos procedimentos fiscais nas coletas de amostras do PNCRC foi muito importante. Ao passo que o Mapa continua monitorando a situação dos produtos, já é possível a responsabilização dos agentes da cadeia produtiva, nos casos de não conformidade”, explica o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Glauco Bertoldo. Até 2019, as irregularidades detectadas pelo PNCRC eram apenas notificadas aos infratores.

Análises

O PNCRC analisou no período 37 produtos de origem vegetal: amêndoa, avelã, amendoim, amêndoa de cacau, arroz, alho, alface, abacaxi, batata-inglesa, banana, beterraba, café grão verde, café torrado e moído, castanha de caju, castanha do Brasil, cebola, cevada malteada, citros, cenoura, farinha de trigo, feijão comum (Phaseolus vulgaris), feijão-de-corda (Vigna unguiculata), goiaba, kiwi, manga, mamão, maçã, milho, melão, morango, pimenta do reino, pera, pimentão, soja, trigo, tomate e uva.

Ao todo, foram 2.601 amostras coletadas e encaminhadas para análises na Rede Nacional de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (Rede LFDA). As amostras são oficiais e coletadas por auditores fiscais federais agropecuários em propriedades rurais, estabelecimentos beneficiadores e em centrais de abastecimento.

As análises do PNCRC são feitas em amostras de produtos nacionais e importados. No período, foram analisados 91% de produtos nacionais e 9%, importados.

Dentre os produtos de origem vegetal que apresentaram 100% de conformidades no período, temos alho, amêndoa, avelã, café, castanha de caju, castanha do Brasil, cebola, cevada malteada, manga e pimenta do reino. Nas inconformidades, abaixo de 70% (a maioria por uso de produtos não permitidos para a cultura) aparecem feijão comum, goiaba, morango, feijão-de-corda e pimentão.

O Mapa utiliza métodos de controle e fiscalização da Instrução Normativa Conjunta nº 02 de 2018, que estabelece a obrigatoriedade de rastreabilidade por todos os entes da cadeia de produção e comercialização de produtos de origem vegetal.

O Plano do Ministério da Agricultura, em conjunto com o Programa de Análise de Resíduos em Alimentos (PARA), realizado pela Anvisa, formam o sistema de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos no Brasil.

Defensivos agrícolas  

Das 2.601 amostras coletadas, 1.777 foram direcionadas para o monitoramento de ocorrência de resíduos de defensivos agrícolas, sendo 1.521 amostras conformes e 256 não conformes.

As violações em produtos nacionais chegaram a 14%. Desses, 10% foram de defensivos agrícolas não permitidos para a cultura – que não significa, necessariamente, risco para a saúde dos consumidores – e 4% com uso acima do limite máximo de resíduos – que indica uso inadequado do produto, não seguindo as orientações da bula.

“Neste biênio, não constatamos nenhuma violação por agrotóxicos proibidos no Brasil nas análises, o que demonstra a segurança dos produtos brasileiros”, destaca Bertoldo. 

Informações à imprensa
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Eclipse parcial da Lua poderá ser observado na madrugada desta sexta-feira (19)


Um eclipse parcial da Lua poderá ser observado na madrugada desta sexta-feira (19). É também chamado de eclipse de microlua, quando o satélite está no ponto mais afastado da órbita ao redor da Terra.   

“Isso acontece porque o caminho que a Lua percorre no entorno da Terra é uma elipse, ou seja, uma circunferência levemente achatada. Como ela está mais longe da Terra que a Lua cheia média, acaba ficando aparentemente menor, cerca de 7%’’, explica o professor do Instituto Federal de Santa Catarina Marcelo Schappo. 

Mesmo sendo microlua, o eclipse poderá ser observado totalmente na América do Norte e em alguns países da América do Sul. Aqui no Brasil, apenas o início do fenômeno poderá ser observado, previsto para às 4h20, no horário de Brasília. O ápice deve ocorrer por volta das 6h, horário de Brasília. 

As cidades do centro-norte do país terão melhores condições de visibilidade, entre elas as capitais Manaus, Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista e Cuiabá. Isso porque nesses locais a Lua se põe após o ápice do eclipse, explica Schappo. 

Os moradores de Macapá, Belém e Campo Grande também poderão acompanhar parte do fenômeno. Já quem mora nas cidades da faixa litorânea do país, dificilmente observará o obscurecimento lunar. 

Marcelo Schappo destaca ainda que próximo do momento do ápice, a Lua poderá ser vista em tom levemente avermelhado ou alaranjado. Segundo o doutor em Física, isso ocorre “porque a luz do Sol interage com a atmosfera terrestre e é desviada para dentro da sombra do nosso planeta, atingindo a Lua. Porém, no processo de interação com a atmosfera, as colorações avermelhadas da luz do Sol passam com maior intensidade.’’

Embora os eclipses lunares – alinhamento do Sol, Terra e Lua –  sejam considerados raros, nesse caso a sombra da Terra encobrirá cerca de 97% da Lua, por isso é considerada parcial e é um pouco mais frequente do que quando há a cobertura total do satélite. 

Após o evento lunar desta sexta-feira (19), o próximo eclipse com boa visibilidade aqui no Brasil será uma total em maio de 2022. 

Neste ano, ainda há previsão de chuva de meteoros Geminídeas, em dezembro. O ápice da visualização dos meteoros no céu noturno será na madrugada do dia 14 de dezembro.

 

Fonte: Por Adrielen Alves – Jornalista da EBC – Brasília Foto Marcello Casal Jr. Agência Brasil


Da Kiss à Covid: como o conhecimento científico e a experiência na tragédia de 2013 ajudam no tratamento de sobreviventes da pandemia


Desde o último trimestre de 2020, o Hospital Universitário de Santa Maria atua no acompanhamento e tratamento de pacientes por meio do Ambulatório Pós-Covid.

Em 2013, um incêndio de grandes proporções na boate Kiss, em Santa Maria, matou 242 pessoas e deixou 630 feridas. Em 2020 e 2021, uma pandemia já vitimou mais de 5 milhões de pessoas ao redor do mundo. Só na principal cidade do Centro-Oeste gaúcho, até o fechamento desta reportagem, mais de 45 mil pessoas foram infectadas e 830 morreram.

No Hospital Universitário de Santa Maria – HUSM, as duas tragédias ganham uma intersecção: o uso do conhecimento científico e da estrutura ambulatorial para o acompanhamento de sobreviventes. Após o incêndio, criou-se o Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes, o CIAVA. Sete anos depois, a demanda mudou, mas a ideia segue na mesma direção: para atender e acompanhar os recuperados da Covid-19, surgiu o Ambulatório Pós-Covid a partir do aproveitamento da estrutura física e intelectual provenientes da experiência anterior.

O CIAVA

“O que houve aqui em Santa Maria, dentro da dimensão e do impacto, foi um evento único até então”, diz Isabella Albuquerque, professora associada do Departamento de Fisioterapia e Reabilitação da Universidade Federal de Santa Maria. Ela ingressou na instituição em junho de 2012. Em janeiro do ano seguinte, ocorreu o incêndio na boate Kiss. Após o momento agudo dos atendimentos posteriores à tragédia, os professores do Departamento de Fisioterapia, que também atuavam no HUSM, perceberam a necessidade de acompanhamento a médio e longo prazo para as pessoas que recebiam alta hospitalar.

Eram pessoas com queimaduras de segundo, terceiro e quarto graus e que tinham sequelas por conta disso. Também havia quem tivesse complicações cardiorrespiratórias devido à inalação da fumaça tóxica. A percepção dessa necessidade levou o grupo a montar um ambulatório para atender à população. Ao mesmo tempo, realizavam-se acordos entre o HUSM, a Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria e o Ministério da Saúde. Destas negociações e da iniciativa dos profissionais da fisioterapia, surgiu a afiliação do Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes – CIAVA. O objetivo inicial era que o acompanhamento durasse ao menos cinco anos.

Vitor Calegaro, professor adjunto do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM e atual coordenador do Ambulatório de Psiquiatria do CIAVA, conta que, na época do incêndio, tinha terminado a residência e começou a atuar como voluntário no local. Em maio do mesmo ano, houve o primeiro concurso, pelo qual foi contratado e passou a atuar no atendimento psiquiátrico.

Além da fisioterapia, da psicologia e da psiquiatria, o ambulatório engloba outras especialidades em saúde e cuidado, como a pneumologia, a cirurgia plástica, a enfermagem, a assistência social, a terapia ocupacional, a nutrição e a fonoaudiologia. São várias áreas que atuam em seus espaços específicos, e que fazem parte do conjunto do Centro. Isabella destaca que os pacientes apresentavam especificidades clínicas e que, por isso, era necessário que o atendimento fosse a partir do olhar multiprofissional.

Alessandra Bertolazzi, pneumologista do HUSM e professora adjunta do Departamento de Clínica Médica da UFSM, recorda que a criação do Ambulatório de Pneumologia do CIAVA ocorreu em fevereiro de 2013. Primeiro, o atendimento era focado nos pacientes que recebiam alta hospitalar e, depois, nos ambulatoriais, ou seja, aqueles que não necessariamente tenham passado por uma internação prolongada, mas que mesmo assim tiveram sequelas da inalação da fumaça tóxica.

No primeiro ano, havia um plantão vespertino que começava às 17h e terminava às 21h, e que reunia várias especialidades para o atendimento de pacientes que chegavam por demanda espontânea. A partir da avaliação inicial, os pacientes eram encaminhados para consultas e tratamento nos ambulatórios especializados, a depender das necessidades individuais. No início, dois mutirões de atendimentos foram realizados. 

Houve ampla divulgação midiática para que todas as pessoas que estiveram na boate na noite do incêndio, mas que não tivessem sofrido queimaduras e que não foram atendidas nas primeiras horas, buscassem uma avaliação. O psiquiatra recorda que os dois mutirões reuniram mais de 600 pacientes (esse número engloba também aqueles que já haviam recebido alguma espécie de atendimento). Além disso, o CIAVA realizava ‘buscas ativas’, a fim de retomar o contato com pacientes que deixavam de acompanhar o tratamento e faltavam às consultas marcadas. A assistência social era responsável por telefonar e trazer o/a paciente de volta ao atendimento.

Para a professora Isabella Albuquerque, a criação do Centro somente foi possível pela concepção de conhecimento de Sistema Único de Saúde – SUS, aliado ao papel da universidade na produção de ciência: “O conhecimento da área de saúde possibilitou isso, pelas estruturas de ensino, de pesquisa, de pós-graduação, do conhecimento do Hospital Universitário. Cada núcleo colaborou em um sentido, e isso viabilizou a criação do CIAVA dentro das premissas do SUS”. De acordo com a Assessoria do HUSM, até 2021, o Ambulatório atendeu a 602 pacientes nas diversas áreas e ainda há pacientes sobreviventes da Kiss em acompanhamento – principalmente nas áreas de pneumologia e psiquiatria. Além disso, atualmente também recebe pacientes que sofreram queimaduras, e que vêm encaminhados pela rede de saúde. 

O Ambulatório Pós-covid

Com o decreto da pandemia pela Organização Mundial da Saúde em 11 de março de 2020, os profissionais de saúde do HUSM começaram a atentar para os estudos e demandas que surgiam em nível hospitalar. O entendimento de que a experiência com o CIAVA poderia ser utilizada no enfrentamento da pandemia foi percebida por Vitor Calegaro desde o início. Os modelos estatísticos, os conhecimentos históricos de outras pandemias e a própria experiência dos estudos com trauma deram a ele a certeza de que alguma hora eles precisariam entrar em cena. “Se a gente trabalha com trauma, trabalha com desastre”. 

Ele destaca que, no início, era um momento delicado de muita incerteza em que os esforços de saúde eram voltados para as emergências nos serviços hospitalares. Havia cautela com relação aos atendimentos ambulatoriais uma vez que faltava conhecimento sobre a própria doença: “Conforme fomos entendendo mais a dinâmica do vírus e as funções de prevenção, adotando os protocolos, começamos a pensar em como estruturar o serviço para atender essa demanda específica”. 

A necessidade de acompanhamento pós-Covid surge aos poucos, de modo gradativo, conforme as pessoas infectadas sobrevivem à doença. Vitor lembra que, da mesma forma que aconteceu com a Kiss, os atendimentos começaram dentro das estruturas setoriais existentes, na segunda metade de 2020. No entanto, a estruturação do Ambulatório Pós-Covid veio um pouco depois, no último trimestre do ano passado, a partir da organização do grupo e das conversas para unir as diversas especialidades em um único local. A intersecção com o atendimento aos sobreviventes da boate Kiss é o aproveitamento da estrutura do CIAVA, dos conhecimentos científicos provenientes do atendimento aos sobreviventes da tragédia e da experiência com situações extremas para a atuação no tratamento de pacientes sobreviventes da Covid-19. Muitos dos profissionais que atuaram desde o início no CIAVA, como Isabella, Alessandra e Vitor, estão na frente da concepção do Ambulatório Pós-Covid também.

Para Isabella Albuquerque, da mesma forma que o CIAVA, a sua criação também surge da necessidade de olhar para a saúde a partir das premissas do SUS. “Com o passar do tempo, a gente percebeu que a Covid é uma doença única de efeitos sistêmicos, e com um comportamento que até então a gente não tinha visto em outras doenças, com essa característica desse impacto na saúde”. A partir de 2020, a leitura e estudos de pesquisas que detectaram o alto tempo de internação hospitalar chamaram a atenção dos profissionais. O olhar para a população pós-alta hospitalar mostrou que estes carecem de mais cuidados em saúde. Isabella explica: “É uma população que ainda apresentava muitas sequelas, e sequelas sistêmicas. A gente não imaginava que ia encontrar algum paciente com essa magnitude em termos de impacto de saúde”. 

O Ambulatório Pós-Covid só recebe pacientes que estiveram internados no HUSM e passaram por uma triagem inicial. Em um primeiro momento, é feito o acolhimento e as avaliações do paciente, que duram dois dias. Iaçana Martins, assistente social e chefe da Unidade de Reabilitação, explica que o acolhimento é o processo de fazer uma escuta sensível e entender as demandas do paciente.  “Por isso que a gente tem que ter esse olhar diferenciado para o paciente a partir da ferramenta da clínica ampliada e compartilhada, que traz bem isso, de tirar o foco da doença e focar no sujeito, no que ele tem de particular, no que ele tá trazendo pra nós”. 

Com base nesse processo, é elaborado um plano de atendimento com base nas demandas específicas. A frequência normal dos atendimentos é de duas vezes na semana. A avaliação funciona como uma espécie de rastreio das necessidades daquele indivíduo. A partir disso, este é encaminhado para as áreas específicas nas quais é acompanhado e reavaliado durante o tratamento. Iaçana expõe que, tanto no CIAVA quanto no Ambulatório Pós-Covid, a política de humanização é basilar, uma vez que traz a importância do acolhimento, de ter um projeto terapêutico singular em vez de um protocolo fixo, a questão da clínica ampliada e compartilhada. 

De acordo com pesquisa interna do Setor de Reabilitação do HUSM, estiveram internados 622 pacientes. Foram 381 altas hospitalares, 34 transferências e 207 óbitos. Destes números, o Ambulatório Pós-Covid atende, atualmente, 67 pessoas, sendo a maioria homens (52%). São as pessoas entre 40 e 50 anos (56%) que mais aparecem no levantamento, seguidas de idosos acima de 60 anos (29%) e adultos abaixo dos 40 anos (17%).

Os pacientes

Entre o perfil dos atendidos nos dois ambulatórios, há uma diferença importante: enquanto os pacientes do CIAVA eram, em sua maioria, jovens sem comorbidades e sem doenças pregressas, os pacientes do Pós-Covid são idosos com comorbidades prévias cujas circunstâncias se agravaram com a Covid-19 e que têm ‘baixa taxa de controle’ – ou seja, não são “controladas” e tratadas de forma ideal, um exemplo é a hipertensão sistêmica. “A gente tem uma doença que está influenciando na outra, a sequela da Covid influencia na doença de base que o paciente tinha”, explica Isabella. Para a professora, é um paciente com uma complexidade distinta que justifica o olhar multiprofissional.

A estrutura

A Revista Arco visitou o Ambulatório Pós-Covid/Fisioterapia para a produção desta reportagem. A sala ampla e clara tem vários equipamentos para a realização de exercícios, desde os elétricos – como a esteira – até outros, como bolas, pesos e elásticos. Clênio Antônio Dotto, 67 anos, é residente do bairro Camobi e é atendido pelo ambulatório desde o final de julho. Em final de maio, foi internado com Covid-19 no Hospital Universitário. Depois de nove dias, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do hospital. Depois de mais nove dias, recebeu alta, em 08 de junho. Ele conta que, com o acompanhamento no ambulatório, sente uma grande diferença: “É do dia pra noite, eu não me sentia bem e agora tô me movimentando melhor”. De acordo com o aposentado, o exercício que mais ajudou foi o da bicicleta.

Mobilidade

Uma das maiores características do paciente Covid é o grande período de internação, destaca Isabella Albuquerque. Por isso, muitos apresentam fraqueza muscular, fraqueza respiratória, equilíbrio alterado,  dores na lombar, nas pernas, nas costas, entre outros. Estas sequelas são tratadas no Ambulatório de Fisioterapia do Pós-Covid. Algumas, como a perda de peso e de massa, são tratadas pela nutrição. E a perda de voz e a deglutição pelo setor de fonoaudiologia.

Para o tratamento fisioterápico e de treinamento físico, são feitos exercícios aeróbicos, resistidos, de equilíbrio e funcionalidade. Alguns destes são o ciclo ergonômico de pernas, a bicicleta estacionária, a esteira, o exercício resistido que é feito com pesos, a eletroestimulação, os exercícios de equilíbrio, a estimulação de propriocepção para pacientes com parestesia, o agachamento com bola, as atividades contra a gravidade e os exercícios de resistência. Viviane Bohrer, fisioterapeuta do HUSM, explica: “Tem que fazer esse paciente ter função de novo, para ter as atividades da vida diária de novo, buscar a volta e o retorno para casa e a melhor qualidade de vida”. Ela destaca que o tratamento é personalizado e que não há como evoluir para a melhora se não houver uma equipe multidisciplinar.

Eduarda Ganzer é estudante do oitavo semestre de Fisioterapia e bolsista do Ambulatório Pós-Covid desde maio deste ano. Suas funções são a avaliação dos pacientes, o protocolo inicial, o acompanhamento dos atendimentos e a intermediação com outras especialidades. Conforme destaca Viviana, há, para além do atendimento, um processo de ensino-aprendizagem, com colaboração de estudantes da graduação, mestrado e doutorado que auxiliam no tratamento dos pacientes, mas também na pesquisa. Há a união da assistência, do ensino e da pesquisa. Para Eduarda, a bolsa é uma experiência nova uma vez que os pacientes têm características distintas e complexas: “Eu acho que isso traz muito do pensamento de tratar o paciente como um todo, então é uma nova abordagem”.

Antonio Fernando Pereira da Silva, 67 anos, é do bairro João Goulart, em Santa Maria. Antes de se aposentar, Antônio era motorista socorrista de ambulância na emergência médica da SATIE. Teve Covid-19 em março deste ano e ficou 40 dias internado no HUSM. Destes, passou dez entubado na UTI. A alta hospitalar ocorreu em 20 de abril, e o início do tratamento no ambulatório aconteceu em agosto. Algumas das sequelas foram a perda da sensibilidade das mãos, uma dificuldade muito grande em se movimentar e um peso na perna esquerda. Antonio relata que ainda não recuperou totalmente a sensibilidade das mãos, mas que o tratamento ajudou muito e acredita que, sem ele, a demora na melhoria da condição física seria bem maior. Durante a conversa com a reportagem, Antonio ficou sabendo que receberia alta ambulatorial em breve. 

Pulmão

Uma característica que aproxima os pacientes sobreviventes da tragédia da Kiss e dos que  tiveram Covid-19 são as sequelas no pulmão. No entanto, Alessandra Bertolazzi alerta que são tipos de lesões diferentes. No caso da Kiss, houve um evento agudo com inalação e exposição, em local fechado, a uma alta temperatura e gás tóxico. Ela detalha que, por conta da exposição aguda, os primeiros pacientes que internaram tinham quadros de muita inflamação. Além disso, ocorreram lesões como queimaduras e queimaduras em via aérea: “a pessoa respira e a alta temperatura vai fazer uma lesão, uma queimadura mesmo, na parte de dentro do nariz, na mucosa, desce na garganta até a região dos brônquios”.

Já no caso da Covid-19, a infecção viral é que causa o processo inflamatório pulmonar, que pode estar aliado à questão vascular, sistêmica e respiratória. Existe o período inicial de infecção, em que os sintomas são gripais, e há uma piora que pode culminar em insuficiência respiratória por conta do processo inflamatório pulmonar.  “Existe um tempo de evolução, e depois que ocorre a piora pulmonar, tem toda a questão de ficar internado, medicações, outras infecções que podem ocorrer quando se está internado, por exemplo, em ventilação mecânica, então tem muitos fatores que podem levar à piora desse quadro pulmonar”, destaca. Alessandra ainda complementa que os pacientes que sobrevivem podem ter consequências da internação e que, por isso, a recuperação pode ser demorada. Essa demora é chamada de Covid longa, em que as sequelas da doença permanecem até seis meses depois da alta. Algumas das sequelas são as alterações musculares, a perda de força, alterações respiratórias, a falta de ar e o chiado no peito.

Segundo Alessandra, não há como prever como as sequelas irão se desenvolver a longo prazo. A partir da observação, a maioria acaba tendo melhora no quadro pulmonar. No entanto, há a previsão de que em alguns casos haja dano permanente no pulmão: “É como se fossem sequelas ou cicatrizes pulmonares”, explicita.

Alessandra comenta que a experiência do atendimento às vítimas da Kiss teve um peso emocional maior. Para ela, foi uma experiência difícil pelas características das vítimas, pelo acontecimento ser repentino e por ter o envolvimento de toda a equipe de saúde. No entanto, para a pneumologista, a experiência da Kiss, apesar de difícil, ajudou no enfrentamento da pandemia, uma vez que ensinou a lidar com múltiplas vítimas.

Saúde mental

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático – TEPT, é uma das consequências em pacientes sobreviventes da Kiss, e também em pacientes sobreviventes da Covid-19. Vitor Calegaro explica que o TEPT ocorre após um evento traumático, que, além dos citados, pode ser um trauma proveniente de violência física, sexual, acidentes, doenças súbitas com potencial de morte, entre outros. Os sintomas se dividem em quatro núcleos:

1- Revivências: são memórias intrusivas e angustiantes que a pessoa tem mesmo sem querer. As memórias são repetitivas e podem vir na forma de lembrança, de flashback, de pesadelos, de sentimentos e sensações fisiológicas angustiantes. Estes momentos fazem com que a pessoa relembre o trauma.

2- Evitação: são sintomas fórmicos, em que a pessoa evita pensar no assunto, em cenas do evento, lembretes externos, pessoas, situações, lugares e memórias que podem fazer com que ela relembre do evento traumático.

3- Alterações negativas no humor, nos pensamentos e nas crenças: humor mais deprimido, dificuldade de sentir emoções positivas como alegria, felicidade, amor e carinho; tendência a sentimentos e emoções negativas como tristeza, ansiedade, irritabilidade e angústia; pensamentos distorcidos, pensamentos de culpa e alteração de visão de mundo.

4- Sintomas ansiosos e hiperexcitabilidade: a pessoa em estado de alerta e de hipervigilância, costuma ficar ansiosa, tem insônia, facilidade de ter explosões de humor, raiva imprudente e colocar-se em situação de risco.

Vitor destaca que uma das semelhanças entre os dois eventos traumáticos, do ponto de vista psíquico, é que os dois são desastres coletivos e evitáveis. “O caso da Kiss é um tanto quanto óbvio, e o da Covid-19, claro, é um desastre biológico, mas a questão é a condução da pandemia”. O médico psiquiatra destaca que há uma insegurança grande na população, em particular para quem se vê mal em função da doença: “A pessoa traumatizada pode tender a ficar extremamente irritada e a apontar responsáveis por isso, nesse país dividido”, complementa.

No Ambulatório Psiquiatria Pós-Covid, que ele coordena, o atendimento começa com uma avaliação pormenorizada, baseada na individualidade. O paciente passa pelo processo de psicoeducação, em que é informado sobre o que tem, para que possa entender a doença e os sintomas. A partir disso, se pensa nas intervenções e qual o melhor tratamento para cada pessoa, além da avaliação da necessidade ou não de medicação. Vitor comenta que é possível observar uma melhora rápida na maioria dos pacientes, em que os primeiros resultados surgem a partir de quinze a vinte dias do início. No entanto, ele alerta que quanto mais próximo do trauma for iniciado o tratamento, maiores as chances de uma melhora mais rápida. Na psiquiatria, há capacidade de atendimento de dezesseis pacientes semanais.

‘Recuperados’ e ‘curados’

“Uma questão importante que a gente observou aqui é o paciente voltar, retornar pro local onde ele quase perdeu a vida”, sublinha Isabella. A professora destaca que essa é uma característica nova em pacientes de UTI, aliada a uma certa ansiedade e a um temor no olhar. “Foi muito importante, enquanto profissional da saúde, ter essa sensibilidade de acolher o paciente, da escuta, de criar o vínculo, isso é Sistema Único de Saúde, isso é política de Sistema Único de Saúde, isso é o SUS”, evidencia. 

Um estudo estadunidense publicado na Revista Nature em abril mostrou que a Covid-19 aumentou o risco de morte em 60% para pacientes pós-covid em comparação com os que não tiveram a doença e não foram hospitalizados. Além disso, estes têm 20% mais chances de precisar de cuidados ambulatoriais, ou seja, consumo de medicamentos. Para Isabella Albuquerque, é necessário olhar para estes números e o que eles significam. Mesmo que seja uma pesquisa dos Estados Unidos, para ela, em algum momento este cenário vai se traduzir no Brasil. “O Ministério da Saúde fala em recuperados. Eu não considero paciente recuperado, porque é um paciente que vai ter sequela e que vai ter que ter um olhar de política pública da saúde”, enfatiza Isabella. Para ela, neste ponto, também há semelhança com os pacientes sobreviventes da Kiss, uma vez que a maioria era de classe socioeconômica mais baixa e possuía consumo de saúde em acompanhamento, uso de medicação, de cirurgias reparadoras, entre outros. “O paciente pós-covid também tem esse impacto, porque é um paciente que consome mais, que gasta mais em saúde e que vai exigir mais do SUS”. Para ela, não há, por parte dos órgãos de saúde, uma atenção e política de acompanhamento desses pacientes a médio e longo prazo. “Vai ser um contingente muito grande de pacientes associado à questão da crise econômica, a gente sabe que muitos pacientes estão deixando de pagar o plano de saúde. E isso vai sobrecarregar cada vez mais a SUS”, complementa.

Fonte: Revista Arco – UFSM
Reportagem e fotografias: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Revista Arco
https://www.ufsm.br/midias/arco/da-kiss-a-covid/ 

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Universidade Federal de Santa Maria