Bolsonaro e Trump estão reunidos na Casa Branca

O presidente Jair Bolsonaro está hoje (19) na Casa Branca, em Washington (Estados Unidos), para o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O norte-americano recebeu Bolsonaro na porta da residência. Eles se cumprimentaram e posaram para fotografias. Bolsonaro terá uma conversa reservada, de cerca de 20 minutos, com Trump, da qual participarão … Leia Mais


RS terá temperaturas amenas e risco de chuva forte na semana do Outono

Nesta semana que começa a estação Outono, terá temperaturas amenas e possibilidade de chuva forte em algumas regiões do Rio Grande do Sul, de acordo com o Boletim Meteorológico Semanal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. O outono começa na próxima quarta-feira, 20. Nesta estação que é de transição, ainda não terá frio rigoroso do inverno, … Leia Mais


Hoje é Sexta, 15 de março de 2019: Dia da Escola:

Hoje é Sexta, 15 de março de 2019: Dia da Escola: A escola, depois da família, é o primeiro grupo social a que pertencemos. E grupos sociais são importantes para que aprendamos a interagir com pessoas, a conhecer novos comportamentos e a respeitar uns aos outros. Além do mais, a escola é fonte de conhecimento e … Leia Mais


Ataques a duas mesquitas deixam mais de 40 de mortos na Nova Zelândia

Feridos por tiros em mesquita de Christchurch, na Nova Zelândia, são levados para hospital — Foto: TVNZ/via REUTERS TV. Reportagem Portal G1 (Globo) Ataques a tiros simultâneos contra duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, deixaram 49 mortos e 48 feridos nesta sexta-feira (15), informou a primeira-ministra Jacinda Ardern. As autoridades ainda não divulgaram as … Leia Mais


Facebook e Instagram fora do ar: redes apresentam erro no Brasil e no mundo


Facebook e Instagram estão fora do ar na tarde desta quarta-feira (13). Não é possível comentar ou publicar conteúdo no Facebook — tanto em perfis pessoais quanto páginas. No Instagram, uma das mensagens exibidas é “Erro de rede desconhecido”, a outra é “Ops. Ocorreu um erro. Estamos trabalhando para resolvê-lo o mais rápido possível”. O feed da rede de fotos também parou de carregar para algumas pessoas. Segundo relatam usuários no Twitter, não é possível postar Stories, enviar Direct e há casos em que o app é desconectado e não é possível fazer login novamente. No momento, o WhatsApp também apresenta erro para enviar áudios e imagens e o Messenger também tem falhas, mostrando apenas conversas antigas.

Como resolver problemas no Instagram? Veja principais bugs e soluções

Os problemas ocorrem na versão web e nos aplicativos para Android e iPhone (iOS). O site Down Detector, que registra problemas de acesso em sites, indica que o pico de reclamações ocorreu a partir de 13h. Entre os países mais atingidos estão, principalmente: Brasil, Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha.

 

Instagram apresenta "erro de rede desconhecido" — Foto: Reprodução/InstagramInstagram apresenta "erro de rede desconhecido" — Foto: Reprodução/Instagram

Instagram apresenta “erro de rede desconhecido” — Foto: Reprodução/Instagram

No Facebook, uma das mensagens exibidas fala que o site está “fora do ar para manutenção”. Também foram registradas falhas de login, erros na publicação dos posts e comentários. De acordo com os usuários, o upload de fotos também está comprometido.

 

"Falha na publicação" é uma das mensagens de erro exibidas pelo Facebook — Foto: Reprodução/Facebook"Falha na publicação" é uma das mensagens de erro exibidas pelo Facebook — Foto: Reprodução/Facebook

“Falha na publicação” é uma das mensagens de erro exibidas pelo Facebook — Foto: Reprodução/Facebook

 

A hashtag #facebookdown está nos Trending Topics do Twitter como o segundo assunto mais comentado do mundo no momento.

Procurado pelo TechTudo, Instagram afirmou estar inteirado do bug e trabalhando para resolvê-lo: “estamos cientes de que alguns usuários estão relatando problemas para acessar alguns aplicativos do Facebook. O time global já está trabalhando para resolver o problema o mais rápido possível.” Facebook explicou que está investigando o caso.

Kaique Rodrigues@kaiquediasr

 

 

O instagram de mais alguém caiu?

 
60 people are talking about this
  

Essa não é a primeira vez que os aplicativos de Mark Zuckerberg têm problemas em 2019. No mês de janeiro, o WhatsApp parou de funcionar por alguns minutos. Em fevereiro, o Instagram apresentou erro para carregar o feed, além de um bug que reduziu o número de seguidores de vários usuários da rede social.

*História em desenvolvimento…

 

Facebook tem instabilidade no Brasil e em outros países — Foto: Reprodução/Outage ReportDown DetectorFacebook tem instabilidade no Brasil e em outros países — Foto: Reprodução/Outage ReportDown Detector

Facebook tem instabilidade no Brasil e em outros países — Foto: Reprodução/Outage ReportDown Detector

Fonte por Nicolly Vimercate, da Redação Portal techtudo Imagem ilustrativa reprodução das redes sociais


Polícia identifica atiradores de escola em Suzano


Em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje (13), a polícia civil de São Paulo confirmou o nome dos dois atiradores da escola Raul Brasil, em Suzano, na grande São Paulo. Os autores do crime são Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, ex-alunos. A motivação para o crime ainda não foi divulgada. Guilherme Henrique estudou no colégio até o ano passado.

Os dois atiradores chegaram à escola por volta das 9h30 da manhã de hoje, durante o intervalo de aulas, e atiraram contra funcionários e estudantes. Cinco crianças e um funcionário morreram no local. Os dois atiradores se mataram. De acordo com último balanço divulgado pela polícia, 10 pessoas ficaram feridas e 10 pessoas morreram, incluindo os dois atiradores.

Dentre os que morreram, duas eram funcionários da escola, Eliane Regina de Oliveira Xavier e Marilena Vieira Umezo. Cinco eram alunos do ensino médio: Pablo Henrique Rodrigues, Clayton Antonio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquiades Silva de Oliveira e João Vitor Ramos Lemos, que morreu no deslocamento para o hospital.

Tiroteio na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo, deixou mortos e feridos. Segundo a Polícia Militar, dois jovens armados e encapuzados invadiram o colégio e disparam contra os alunos.
Tiroteio na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo, deixou mortos e feridos. Segundo a Polícia Militar, dois jovens armados e encapuzados invadiram o colégio e disparam contra os alunos. – Rovena Rosa/Agência Brasil

Vinte e três pessoas foram levadas ao hospital, entre elas, pessoas que passaram mal após o ataque. Antes de chegarem à escola, eles atiraram no dono de uma locadora de carros, Jorge Antonio Moraes, que também veio a óbito.

O governador João Doria decretou luto oficial de três dias no estado.

Fonte por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil  Foto Rovena Rosa/Agência Brasil


69 Anos: Cooperativa faz do agronegócio uma ferramenta para alavancar a economia local


A Cooperativa Agropecuária Júlio de Castilhos, completa nesta terça-feira (12) o aniversário de 69 anos de história, 69 anos de um sonho que realizamos juntos e milhares de histórias formam a da Cotrijuc, ressalta a Cotrijuc. 

A presença de uma cooperativa em um município representa um papel importante para a agropecuária e para a economia local. Assim, há quase sete décadas, a Cooperativa Agropecuária de Júlio de Castilhos (Cotrijuc) tem como carro-chefe dos seus negócios o recebimento, armazenagem e comercialização de grãos. Dessa forma, 75% dos negócios da cooperativa estão ancorados na venda de grãos, 15% na comercialização de insumos agrícolas e os 10% restantes se dão em áreas afins.   

O carro-chefe é a soja e cerca de 70% a 80% dos grãos recebidos são exportados. A soja tem como destino principal a China – o país asiático representa, hoje, 80% das exportações de soja da cooperativa.  Neste ano, a empresa movimentou 10 milhões de sacas de soja, o que faz da Cotrijuc a terceira cooperativa do Estado que mais recebeu o grão.  

Júlio de Castilhos é uma área de planalto e em decorrência da própria topografia – com relevo plano e solos férteis, além de chuvas bem distribuídas o ano todo – o município dispõe de potencialidades naturais para a cultura da soja. 

Com 11 unidades e presente em sete municípios do centro do Estado, a Cotrijuc emprega 300 colaboradores. Há ainda 4,5 mil associados. O crescimento, nos últimos cinco anos, tem ficado na casa dos 25%. A efeito de comparação, o faturamento para o fim deste ano deve chegar à marca histórica de R$ 1,2 bilhão. Ano passado, o faturamento tinha sido de R$ 856 milhões, o que representa um crescimento de mais de 40% de um ano para o outro.  

Além da atividade agropecuária, a Cotrijuc também tem participação junto à Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e ainda atua em outros setores como, por exemplo, supermercados, postos de combustíveis, moinhos (de trigo e milho), peças e equipamentos e farmácia veterinária.

Reportagem de Marcelo Martins do Portal GauchaZH  Edição Alcir61 Foto reprodução redes sociais


Cafundó: conheça a localidade de nome singular da região central do RS


Estrada sinuosa em meio aos cerros da região leva à baixada onde fica o CafundóRobinson Estrásulas / Agencia RBS
Confira reportagem Créditos de Bruna Porciúcula do Portal GaúchaZH

Aos pés da Serra de São Martinho, na região central do Rio Grande do Sul, os cerros cobertos de mata retiram o horizonte da vista, e o emaranhado de estradinhas de chão abertas pelos imigrantes italianos da Quarta Colônia vai levando aonde nem Judas chegaria não fosse a ajuda de uma ou outra placa.

É o caminho do Cafundó, o Cafundó mesmo, de batismo oficial e escrito com o C maiúsculo, lugar onde a dona de casa Vera Quatrim Dal Molin, 55 anos, e o marido dela, o agricultor Dilmar Dal Molin, 49, escolheram para travar a luta diária pela sobrevivência. Trata-se de uma localidade dentro dos limites de Ivorá, município com pouco mais de 2,1 mil habitantes – a maioria deles na zona rural – a cerca de 50 quilômetros de Santa Maria.

Não há quase nada por lá, o que talvez justifique o gracejo do nome, que foi, anos atrás, até motivo de vergonha para Vera.

– A gente achava ruim o nome, não gostava. Mas agora fiquei velha, não tenho mais vergonha. E foi aqui que, com honestidade e muito trabalho, criei meus filhos. Esse chão é meu, vou morrer aqui, por que ter vergonha? – ufana-se a mulher, no chalé de madeira ao sopé de um dos morros que compõem a paisagem.

A comunidade do Cafundó é uma espécie de resistência aos apelos da cidade e às dificuldades naturais do lugar. Não passa de duas dezenas de famílias, apostam os moradores, já que dados oficiais não dão conta do número atual exato da população. As plantações de milho, feijão, fumo e outras culturas assentam-se em peraus impiedosos que exigem dos moradores força nas pernas e serenidade para esperar que do terreno pedregoso germine fartura.

Vera já sofre as dores provocadas pelo esforço contínuo de apoiar no quadril os cestos com batata e alimentação dos animais no sobe e desce das trilhas íngremes. Esperar pela terra é a sina de quem se destina a existir por aquelas bandas, desde muito antes de os imigrantes italianos abrirem as primeiras picadas e linhas da Quarta Colônia.

Robinson Estrásulas / Agencia RBS
No caminho para a localidade, estrada cruza o Rio MelloRobinson Estrásulas / Agencia RBS

O Cafundó, pelos registros históricos de Ivorá, foi ocupado por gente de São Martinho da Serra e Júlio de Castilhos, gente esta que fugia da violência da Revolução Federalista de 1893. Boa parte era formada por descendentes de portugueses, negros ou indígenas que habitavam as proximidades da sesmaria dos Mello, o grande proprietário da área de aproximadamente 3 mil hectares na época do Império.

– Os italianos não foram os primeiros a chegar no Cafundó, mas sim pessoas da região que queriam se esconder das lutas, daqueles tempos de degola nos campos mais altos. Só mais tarde é que os colonos começaram a adquirir essas terras, porque as áreas mais planas, das várzeas, já estavam ocupadas pelos alemães. Mas, desde aquela época, sempre foi um lugar escondido – conta o professor de História Sergio Venturini, um ivorense dedicado à memória do município.

Venturini explica que, muito antes da imigração de famílias italianas do Vêneto e de Friuli, em 1883, Cafundó e a comunidade de Barreiro, outra nos limites de Ivorá, registravam a presença de povos indígenas, que já tinham contato com o cristianismo por conta do primeiro período das reduções jesuíticas no Estado – a Redução da Natividade ficava onde atualmente é Júlio de Castilhos.

Robinson Estrásulas / Agencia RBS
Vera e Dilmar: casal está entre as poucas dezenas de moradores do CafundóRobinson Estrásulas / Agencia RBS

Acredita-se que esses locais periféricos da região tenham sido palco dos primeiros contatos entre imigrantes italianos e nativos. Inicialmente, os novos moradores vindos da Europa ignoravam costumes, língua e cultura dos locais, a quem chamavam, não importando se negros ou índios, de “nacionais”, ou “brasileiros”, por vezes, como uma maneira de distingui-los pejorativamente dos italianos.

Nas levas seguintes de novos proprietários de terras no Cafundó, estava a família do agricultor Alexandre Paulo Simonetti, 75 anos. Ele chegou ao local aos quatro anos, acompanhando os pais e outros 10 irmãos e de lá não arredou mais pé. Saíram da chamada Linha Simonetti, a oito quilômetros dali, em busca de mais espaço para plantar, ainda que o relevo acidentado pouco oferecesse a uma roça plana.

– Aqui, a gente planta com espingarda e colhe com o laço – diverte-se Simonetti, apoiando-se no ditado popular entre os colonos para explicar a dificuldade de se trabalhar naqueles terrenos.

Robinson Estrásulas / Agencia RBS
Alexandre, que vive há 71 anos no Cafundó, e famíliaRobinson Estrásulas / Agencia RBS

Repolho na brizoleta

O Cafundó já teve mais plantações e mais gente também. Muitos dos antigos moradores morreram e outra parte preferiu seguir rumo à cidade, num movimento que desfigura a vocação dos mais jovens para a vida no campo – não só em Ivorá, mas também em outras cidadezinhas da Quarta Colônia.

– As lavouras são limitadas, porque há muito cerro. Então, o pessoal vai embora por falta de condições – diz João Paulo Simonetti, filho de Alexandre e atual morador do centro de Ivorá.

Vera também lembra que, anos atrás, a localidade tinha mais atrativos. Vizinha da antiga “brizoleta” (a escola criada em 1960 por Leonel Brizola quando governou o Rio Grande do Sul de 1959 a 1963 e na qual ela estudou até a quarta série), a moradora recorda dos adjutórios, frequentes nas comunidades rurais e católicas da região, e das celebrações que reuniam gente de linhas vizinhas ao Cafundó em partidas de bocha e futebol. O período na escola era divertido e valorizado. Ivorá tem uma tradição em educação. Quando ainda pertencia a Júlio de Castilhos, foi o primeiro distrito do Rio Grande do Sul a ter uma escola pública com Ensino Médio.

Robinson Estrásulas / Agencia RBS
A brizoleta: velha escola da localidade é um ponto de referência na comunidadeRobinson Estrásulas / Agencia RBS

A cidade é, pela forte tradição católica, um celeiro de padres. Por anos, funcionou no atual prédio da prefeitura uma espécie de pré-seminário para rapazes na modalidade de internato. O empreendimento foi idealizado por Monsenhor Busato, o primeiro pároco do município depois que a Capelania de São José do Núcleo Norte, antigo nome de Ivorá, tornou-se uma paróquia, em 1918.

A liderança religiosa de Busato, aliás, até hoje é motivo de controvérsia na comunidade. É venerado pelo espírito empreendedor e por obras que deixou na cidade, mas, ao mesmo tempo, retratado como um homem severo e implacável na disciplina de seus fiéis. Em seu livro Ivorá – Sangue Italiano na Quarta Colônia, Venturini descreve a figura do religioso como protagonista de episódios de violência, como uma bofetada em uma noiva e um pontapé, à porta da casa canônica, em um viúvo que havia casado novamente sem as bênçãos do pároco.

Monsenhor Busato também mantinha seu rebanho atento ao que chamava de “ameaça protestante”. Em áreas de colonização alemã da Quarta Colônia, via-se as religiões protestantes ganharem força, e ele, orientado por circulares enviadas pelos bispos, deixava claro a excomunhão daqueles que se aventurassem longe da Igreja Católica. O povoado vivia, conta Venturini, sob o medo onipresente dos anos 2000, pois acreditava-se que seria o fim do mundo, do terceiro segredo de Fátima, à época não revelado pela Igreja, e do diabo.

– As pessoas tinham muito medo. Onde fosse, ele (Busato) queria saber se tinha gente fazendo reuniões dançantes ou culto protestante. Não se podia dançar. Enquanto o Monsenhor existiu, não se dançou em Ivorá. Teve gente que morreu sem nunca ter ido a um baile – conta o professor.

O Cafundó também entrava na área de jurisdição de Monsenhor Busato, mas por lá pouco se lembram dele. A herança educacional dos primórdios da cidade ficou relegada às lembranças. As crianças atravessavam o barro, encaravam o frio dos dias de inverno para aprender a “ler e fazer conta” e aproveitar a merenda, feita na instituição mesmo.

– A gente comia repolho temperado. Era bem bom. Sempre tinha – recorda Vera.

A brizoleta, oficialmente chamada Escola Municipal Senador Alberto Pasqualini, em homenagem ao político que virou o filho mais ilustre de Ivorá, quando teve as atividades escolares canceladas em 1995, tornou-se uma espécie de salão comunitário, onde ocorrem missas mensais, palestras e encontros da terceira idade, cada vez mais raros.

– Olha, era muito divertimento por aqui. Faziam as promoções na comunidade. Não tem mais nada disso. Por quê? Não sei. Só sei que era tudo diferente – lamenta Vera, em frente ao antigo colégio e ao campo de futebol tomado pelo mato.

Robinson Estrásulas / Agencia RBSReligiosidade impregna história de Ivorá (foto), onde descendentes de italianos eram reprimidos ao aderir ao protestantismoRobinson Estrásulas / Agencia RBS

Turismo no Cafundó?

O tempo no Cafundó passa devagar, marcado por verões escaldantes e invernos úmidos, entrecortados por um ou outro episódio rumoroso. Diferentemente das grandes cidades, a violência não faz parte do dia a dia de quem vive por lá. 

O que mais tira o sossego da Polícia Civil e da Brigada Militar são os abigeatos e os rebuliços por brigas em bailes do interior, mas, em 2012, um agricultor foi morto a pauladas em casa, vítima de latrocínio. Um ano depois, dois homens foram presos pelo crime. O assassinato brutal comoveu e assustou os moradores da localidade, desde então mais atentos ao movimento de estranhos que volta e meia cruzam por ali em busca de aventura.

Cafundó, além das gentes, esconde belezas naturais quase inexploradas pelo turismo. Há pelo menos duas cachoeiras na área, mas que ainda não integram roteiros turísticos. Ivorá tem mais de 30 cascatas e piscinas naturais que atraem visitantes para a área rural do município nos meses mais quentes.

– As cachoeiras do Cafundó têm acesso muito difícil, fica complicado de levar o pessoal lá por causa da falta de segurança e da trilha. É no cafundó mesmo – reforça Leandro Sarzi, engenheiro elétrico formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Sarzi diplomou-se e voltou para sua terra natal para abrir um comércio e se dedicar ao projeto Caminhos de Ivorá, que promove roteiros pela Quarta Colônia, incluindo a visita a pontos turísticos, como o Monte Grappa e a Cruz Luminosa, e almoços preparados por famílias de origem vêneta ou friulana.

O relevo da região atrai ao longo do ano grupos de trilheiros que encontram terreno ideal para o esporte. O Cafundó, por ser um cafundó, não está contemplado na programação oficial dos passeios, mas o entusiasmo de Sarzi em impulsionar o turismo local já vislumbra o potencial da localidade, banhada pelo Rio Mello, com cascatas escondidas e córregos.

Robinson Estrásulas / Agencia RBSDepressão: Cafundó fica em uma baixada cercada de cerrosRobinson Estrásulas / Agencia RBS

O mistério do nome

Décadas atrás, atribuía-se ao nome dessa remota localidade qualquer infortúnio ou a ausência do progresso. Pensou-se até em trocá-lo, mas a falta de consenso entre moradores não só manteve a alcunha como também sequer conseguiu oficializar o nome de uma das sangas do lugar, deixando o curso d’água ser chamado ao gosto de cada um.

E não é que mais tarde foi justamente a denominação de Cafundó que deu fama ao lugarejo? Programas de TV de diversos lugares do país (incluindo o Fantástico, anos atrás), estudantes universitários em busca de um peculiar objeto de estudo, fotógrafos e repórteres aportam por lá para entender o lugar onde não tem quase nada aos olhos de quem pensa que tem tudo, mas quase tudo para quem, por opção ou destino, vive nesse esconderijo protegido pela natureza.


Especial: O legado do jornalista Júlio Prates de Castilhos para a política


Reportagem por Ricardo Chaves Almanaque GaúchaZH Foto: Virgílio Calegari / Reprodução:

O Jornal A Federação (1884-1937) – órgão do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) – reproduziu, em grande parte, o pensamento político de Júlio Prates de Castilhos (1860-1903), que preferia o manejo da pena ao discurso na tribuna parlamentar. Considerado o “príncipe do jornalismo político”, ele defendeu o conceito de que a imprensa não precisa limitar-se apenas ao registro do acontecimento político, mas pode ser o instrumento para modificar-lhe o curso. A experiência jornalística de Júlio de Castilhos proveio de sua atuação no jornal estudantil A Evolução (1879). 

Gerado dentro do Clube 20 de Setembro da Faculdade de Direito de São Paulo, neste jornal, aos 19 anos, ele já combatia o regime monárquico. Com o título “O precoce jornalista Júlio de Castilhos” (2017), o artigo do professor Antônio Hohlfeldt e do mestre em Comunicação Social Fábio Flores Rausch registra que, segundo a historiadora Helga Piccolo, entre junho e agosto de 1880, Júlio de Castilhos foi redator do jornal paulistano A República (1878-1882), oriundo também do ambiente acadêmico. 

Aos 21 anos, já formado em Direito, ele retornou ao Rio Grande do Sul e, em 1882, fundou, com outros companheiros, o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Como redator d’A Federação, ele escreveu  uma série de artigos, denominados de Sophismas Liberais. Nestes editoriais, que somam 16 textos e foram escritos no período de fevereiro a junho de 1884, ele defendeu e justificou a forma republicana como o modelo ideal de governo

 

Em 2005, os jornalistas Antônio Hohlfeldt e Fábio Rausch realizaram, em Porto Alegre, no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, uma pesquisa na qual foram analisados esses importantes editoriais d’A Federação escritos por Júlio de Castilhos. Trata-se de artigos visando à desconstrução de três princípios básicos defendidos pelos monarquistas: “Não temos homens para a República”, “Temos liberdade demais” e “O exemplo das repúblicas sul-americanas”. 

Na opinião do jornalista e pesquisador Francisco Rüdiger, A Federação influenciou os acontecimentos, e não somente os reproduziu. Cada edição era uma página de um Alcorãopartidário. Ser um assinante do jornal era a credencial de um republicano. A Federação enfrentou oposição, especialmente do jornal A Reforma (1869-1912). Com este último, ocorreram acirrados embates políticos entre Gaspar Silveira Martins (1835-1901) e Júlio de Castilhos. 

Reprodução / Acervo Musecom
A Federação de 14 de julho de 1884Reprodução / Acervo Musecom

Em 1885, A Reforma também registrou debates do jornalista monarquista e anticlerical Carlos von Koseritz (1830-1890) respondendo às críticas do seu opositor, Júlio de Castilhos, no jornal A Federação. Proclamada a República (1889), Silveira Martins, presidente da província, foi para o exílio na Europa. Em 1890, Júlio de Castilhos foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul, participando, como líder da bancada gaúcha, da Constituinte de 1891. Em 14 de julho de 1891, promulgou-se a primeira Constituição do Rio Grande do Sul. Escrita por Júlio de Castilhos, tinha caráter centralizador e foi inspirada na filosofia positivista de Augusto Comte (1798-1857). No dia seguinte a sua promulgação, ele assumiu a presidência do Estado.

Pressionado pela oposição devido ao fato de ter dado apoio ao presidente Deodoro da Fonseca (1827-1892), quando este fechou o Congresso Nacional, em 3 de novembro de 1891, Castilhos acabou renunciando em 12 de novembro daquele mesmo ano.

Com o seu afastamento, nosso Estado, até junho de 1892, viveu um período de crise política, pejorativamente chamado de “governicho” pelo próprio Júlio de Castilhos. Reeleito, Castilhos foi empossado em 25 de janeiro de 1893, com o apoio do novo presidente da República, marechal Floriano Peixoto. A oposição gaúcha considerou o pleito uma fraude, recrudescendo o ódio partidário.  

Reprodução / Acervo Musecom
Constituição de 1891 do Rio Grande do SulReprodução / Acervo Musecom

Ao retornar para o Rio Grande do Sul, após o exílio, Silveira Martins fundou, em Bagé, em 1892, o Partido Federalista (PF), que defendia o unitarismo e o parlamentarismo. Reunindo os maragatos (lenço vermelho), que haviam sido alijados do poder, ele passou a liderar uma acirrada oposição aos pica-paus (lenço branco), representantes do poder castilhista.

O debate político, por meio da imprensa, configurou-se, de forma inevitável, em uma guerra fratricida, eclodindo a Revolução Federalista ou da Degola (1893-1895), que nos deixou o saldo de 10 mil mortes. Vencedor, o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) consolidou o seu poder, por cerca de 40 anos, no cenário da política gaúcha.

Colaboração de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, pesquisador e coordenador do setor de imprensa do Musecom